
A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) julga nesta terça-feira (8) o habeas corpus do ex-vereador de Campo Grande e ex-secretário de Fazenda de Sidrolândia, Claudinho Serra (PSDB). Ele está preso desde o dia 5 de junho, acusado de liderar um esquema de corrupção na Prefeitura de Sidrolândia, desmantelado na 4ª fase da Operação Tromper.
O pedido de liberdade havia sido negado em liminar, mas agora retorna para decisão definitiva dos desembargadores. O mesmo ocorre com o empresário Cleiton Nonato Corrêa, dono da GC Obras, que também teve prisão decretada na mesma operação e aguarda julgamento de habeas corpus.
Relembre o caso
No início de junho, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) cumpriu três mandados de prisão em Campo Grande e Sidrolândia contra Claudinho Serra, seu assessor Carmo Name Júnior e Cleiton Nonato. Ao todo, foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão, incluindo endereços ligados a ex-secretários, ex-servidores e até membros da família do ex-secretário.
Claudinho foi preso em um apartamento de luxo na região central de Campo Grande, cerca de um ano após sua primeira detenção durante a 3ª fase da Operação Tromper, em abril de 2024.
As investigações apontam que ele comandava uma organização criminosa voltada à fraude em licitações e contratos administrativos em Sidrolândia. Na denúncia, o MPMS afirma que Claudinho manipulava processos licitatórios e direcionava contratos públicos em troca de propina, com o envolvimento direto de servidores e empresários.
Família e aliados no centro das investigações
A 4ª fase da operação atingiu o núcleo familiar e político de Claudinho. Foram indiciados:
- Cláudio Jordão de Almeida Serra – pai de Claudinho
- Mariana Camilo de Almeida Serra – esposa de Claudinho e filha da ex-prefeita Vanda Camilo
- Carmo Name Júnior – assessor (preso)
- Jhorrara Souza dos Santos Name – esposa de Carmo
- Cleiton Nonato Corrêa – empresário (preso)
- Thiago Rodrigues Alves – apontado como intermediário de propina
- Valdemir Monção (Nanau) – ex-assessor parlamentar
- Empresários, esposas e cunhados ligados diretamente ao grupo
A denúncia também inclui delações premiadas, como a do ex-servidor Tiago Basso da Silva, que revelou esquemas em setores como o Cemitério Municipal, a Fundação Indígena, o abastecimento da frota municipal e pagamentos de propina de até 30% sobre os contratos.
Réu por corrupção
Claudinho Serra e outros 22 investigados se tornaram réus em 19 de abril de 2025, quando o juiz da Vara Criminal de Sidrolândia, Fernando Moreira Freitas da Silva, aceitou a denúncia do MPMS.
O julgamento do habeas corpus pode definir os próximos rumos da investigação e da situação jurídica do ex-secretário, que permanece preso enquanto os indícios apontam para um dos maiores esquemas de corrupção já descobertos no município.