
Com a bênção do ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-governador Reinaldo Azambuja (ex-PSDB) confirmou nesta semana sua filiação ao Partido Liberal (PL) e já iniciou o processo para assumir o comando da sigla em Mato Grosso do Sul. A mudança, marcada para ser oficializada em 15 de agosto com um evento que contará com a presença de Bolsonaro, já causa reações e levanta questionamentos dentro do próprio partido.
A entrada de Azambuja no PL acontece em meio a uma articulação política que envolve também o PP, sigla da senadora Tereza Cristina, e o atual governador Eduardo Riedel (ainda no PSDB), que deve migrar para o Progressistas. O objetivo seria formar uma frente unificada para a eleição de 2026, com Azambuja disputando o Senado e Riedel buscando a reeleição.
No entanto, apesar do apoio formal de Bolsonaro, a base conservadora do PL em Mato Grosso do Sul demonstra resistência à chegada do ex-tucano. Reinaldo Azambuja deixa para trás um legado marcado por escândalos de corrupção — incluindo denúncias no âmbito da operação Lama Asfáltica — e por uma gestão criticada pela população em áreas como saúde e segurança.
Fontes internas do partido relatam que a transição de comando, conduzida pelo atual presidente Tenente Portela, ocorre em clima tenso e com forte pressão de lideranças regionais contrárias à mudança. “Já iniciei a transição… agora é a hora de passar”, afirmou Portela, tentando sinalizar normalidade. Ele permanecerá no diretório, mas a ruptura entre alas do partido pode se aprofundar nas próximas semanas.
A movimentação levanta dúvidas sobre a coesão do PL no Estado, principalmente entre membros e apoiadores que defendem uma linha mais fiel aos princípios do conservadorismo e da renovação política — e que veem em Azambuja um símbolo da “velha política” e do fisiologismo.
Para muitos, a filiação soa como uma tentativa de sobrevivência política por parte de Azambuja, que busca foro privilegiado e novo espaço eleitoral. Já para o PL, a aposta pode custar caro em apoio popular, justamente num momento em que o partido busca consolidar sua imagem como a principal força da direita em MS.