
O Ministério Público Estadual (MPMS) revelou que o ex-secretário de Fazenda e ex-vereador de Sidrolândia, Claudinho Serra (PSDB), recebeu mais de R$ 250 mil do frigorífico Balbinos Agroindustrial por bois que nunca foram entregues. A denúncia é parte de um desdobramento da investigação que apura um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro com base em contratos públicos e movimentações suspeitas no agronegócio.
Segundo os promotores, o frigorífico sediado em Sidrolândia fez dois repasses diretos à conta bancária de Claudinho Serra: um de R$ 117.760,32 e outro de R$ 133.800, em maio de 2022. Os valores foram justificados como pagamento por 21 bois, que, conforme o MP, sequer existiram.
As investigações mostram que o pai de Claudinho, Cláudio Jordão de Almeida Serra, foi usado como laranja no esquema. Ele comprava gado com recursos de origem duvidosa – segundo o MP, provenientes de propina paga por empreiteiras contratadas pela Prefeitura de Sidrolândia – e em seguida o frigorífico fazia os pagamentos diretamente a Claudinho, como se fossem referentes à venda do gado.
Outro frigorífico, a Buriti Comércio de Carnes, também aparece na denúncia, tendo feito uma transferência de R$ 107.781,18, igualmente por um lote de gado que não foi entregue.
Além de Claudinho, o MP denunciou outras pessoas envolvidas: seu pai, o ex-assessor Carmo Name Júnior e o empresário Thiago Rodrigues Alves. Todos tiveram a prisão temporária mantida em decisão recente da Justiça.
A denúncia apresentada pelos promotores Bianka Mendes, Adriano Lobo Viana e Humberto Lapa Ferri foi aceita pela Vara Criminal de Sidrolândia. Os acusados agora respondem por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
As autoridades afirmam que os envolvidos utilizaram propriedades rurais, frigoríficos e empresas de fachada para mascarar a origem dos recursos desviados de contratos públicos. O caso é mais um desdobramento da Operação Vostok, que também investiga o pagamento de propinas durante a gestão do ex-governador Reinaldo Azambuja.