
A Bolívia realizou neste domingo (17) a primeira rodada das eleições gerais, que definiram os candidatos ao segundo turno da disputa presidencial. O resultado confirmou uma guinada política no país, após mais de duas décadas de domínio do partido de esquerda Movimento ao Socialismo (MAS).
Segundo o Tribunal Supremo Eleitoral, o candidato Rodrigo Paz Pereira, do Partido Democrata Cristão (PDC), liderou a votação com 32,1% dos votos válidos. Em segundo lugar ficou o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, da aliança conservadora Libre, com 26,9%. Ambos disputarão o segundo turno marcado para 19 de outubro.
O empresário Samuel Doria Medina, que aparecia entre os favoritos, surpreendeu ao terminar em terceiro lugar, com 19,9%. Já o jovem senador Andrónico Rodríguez, dissidente do MAS, ficou com 8,1%. O candidato governista Eduardo del Castillo, apoiado pelo atual presidente Luis Arce, não chegou a 4% dos votos, marcando a pior performance do MAS desde sua criação.
Outro dado que chamou atenção foi o elevado número de votos nulos e brancos, que chegou a quase 20% do total, resultado de um boicote incentivado pelo ex-presidente Evo Morales, impedido de concorrer após decisão judicial que barrou sua candidatura.
Crise econômica e mudança política
O pleito acontece em meio a uma das piores crises econômicas da história boliviana, com inflação acima de 20%, escassez de combustível e falta de dólares no mercado. A instabilidade acelerou o desgaste do governo e abriu espaço para a oposição.
Analistas políticos apontam que o segundo turno será decisivo para definir os rumos da Bolívia. Independentemente do vencedor, a eleição já representa o fim de um ciclo: após 20 anos, o MAS deixa de ser a principal força política do país.