Empresa afirma ter chegado ao limite da capacidade financeira e não conseguir mais manter os empregos sem produção e faturamento

SIDROLÂNDIA (MS) — O Frigorífico Balbinos iniciou, nesta sexta-feira (14), o desligamento de aproximadamente 350 trabalhadores em Sidrolândia. Funcionários que chegaram à unidade foram surpreendidos com a situação e formaram uma fila em frente ao setor de Recursos Humanos para os procedimentos de rescisão.

A empresa confirmou os desligamentos e afirmou, em nota, que chegou ao limite de sua capacidade financeira após meses de paralisação das atividades e sem faturamento suficiente para manter a folha de pagamento.

Segundo a Balbinos, os trabalhadores foram mantidos durante o período em que houve condições financeiras para preservar os empregos, mas a falta de recursos para recompor o capital de giro e retomar os abates tornou inviável a continuidade da manutenção da equipe.

Recuperação judicial e dívida milionária

A Balbinos Agroindustrial está em recuperação judicial e possui um passivo declarado de aproximadamente R$ 120,8 milhões. A situação financeira da empresa se agravou após a paralisação da produção.

Dados apresentados no processo de recuperação judicial apontam que o caixa da empresa, que era de aproximadamente R$ 107,7 mil no fim de outubro de 2025, chegou a zero em dezembro do mesmo ano. O frigorífico também encerrou 2025 com prejuízo acumulado de aproximadamente R$ 47,7 milhões.

A crise também envolve credores da cadeia pecuária. Produtores rurais chegaram a recorrer à Justiça para cobrar valores referentes à compra de bovinos. Conforme informações divulgadas sobre o processo, cinco produtores ingressaram com ações entre outubro de 2025, cobrando mais de R$ 2 milhões.

Demissões atingem economia de Sidrolândia

O impacto dos desligamentos vai além dos trabalhadores diretamente empregados pelo frigorífico. A unidade também movimenta uma cadeia formada por produtores rurais, transportadores, fornecedores e prestadores de serviços.

Anteriormente, entidades ligadas ao setor já haviam alertado que a retomada das atividades seria importante não apenas para os funcionários, mas também para produtores e demais credores que dependem do funcionamento da indústria para gerar receita e ampliar as possibilidades de recebimento de valores devidos.

A empresa, entretanto, afirma que os desligamentos não significam o abandono da recuperação judicial e que continuará buscando alternativas para recompor o capital de giro e viabilizar a retomada das operações.

Situação preocupa trabalhadores e famílias

A notícia das demissões causou apreensão entre os trabalhadores e seus familiares, especialmente pelo número de pessoas atingidas e pela importância da unidade para a economia local.

Ainda não há previsão oficial para uma eventual retomada dos abates. O futuro da empresa dependerá da evolução do processo de recuperação judicial, da obtenção de recursos e da possibilidade de reestruturação financeira necessária para voltar a operar.

O Sidrolandense continuará acompanhando o caso e buscará informações sobre os próximos passos da empresa.

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By Sidro

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